Mac partiu hoje para o céu dos gatinhos.
Estava com um arzinho tão tranquilo, deitadinho de lado, morreu mesmo de velhinho, parece que o coração lhe falhou.
Pensei tantas vezes em como ele seria feliz correndo no Ipê Amarelo! Quando estava lá ficava a imaginá-lo por lá. Agora que parece que vamos, o tempo dele acabou. Só irá no meu pensamento! Vamos deixando o tempo passar, e um dia é tarde!
Nem é preciso um dia, brinquei com ele ontem a noite antes de ir deitar, fiz festinhas no pescoço, fechou os olhinhos, limpei o olhinho que tinha uma remelinha seca, e de manhã fui logo lá, acordei cedo - tive uma noite de pesadelos - ele já quase não saia da cestinha dele, aconcheguei-lhe um paninho muito quentinho que lhe coloquei há mais ou menos duas semanas, deu um miadinho, vesti o impermeável e fui para a horta, não deixei a porta aberta com receio que ele saisse para o jardim e o Agostinho com as suas brincadeiras malucas o encuralasse como há duas semanas na churrasqueira - também havia saido atrás de mim - embora o Agostinho o respeitasse muito, avançava para brincar, mas Mac rosnava e atacava-o a patadas e ele recuava, recuava para avançar novamente, queria brincar mas o Mequinho o olhava com cara de: não tenho paciência para este puto, e recuava sem lhe dar as costas até entrar na garagem.
Voltei, e fui para a hidroterapia, disse ciao Mac, como sempre: ele não miou. Quando voltei não fui perto dele,da porta do carro ao tirar um saco disse: Oi Mequito, ele estava de lado, com a cabeça para o outro lado, que não vi; almocei, ele não veio, deitei...
Elsa chegou e A. veio perto de mim com ar estranho, perguntei logo o que era, disse que Mac estava morto.
Custei a tomar coragem mas fui lá, fiz carinho nele, quietinho, imóvel, parecia mesmo dormir, nem muito gelado, o meu loirinho de barriguinha branca e cheirosinha, - gostava tanto de lhe fazer isso: levanta-lo bem alto e enfiar e esfregar o nariz na sua barriguinha - o meu loirinho de pelo enovelado, embolado e agarrado problema surgido com a idade e que este ano nem aos tufos caiu no verão.
M. chegou, levou-o para enterrar no terreno do pomar, quero-o aqui dentro, guardadinho, foi com sua cestinha, suas almofadas, seu paninho, adeus Mequinho, se os budistas estiverem certos voce voltará, provavelmente não para mim, mas fará a felicidade de outra pessoa por muitos e bons anos como fez a mim por quase treze anos, senão ficará no céu dos gatinhos a brincar, ronronar, procurando a minha cama para se enrolar bem encostado a mim, em cima de mim de preferência, ou a colcha azul do quarto de hóspedes, ou a porta do roupeiro para arranhar, abrir e se esconder lá dentro, fingindo que não ouve quando não lhe interessa aparecer!!!
Mesmo não sendo de boa família como eu sempre disse que voce não era, muito obrigado por ter estado tanto tempo na minha vida, por ter se dedicado a mim, por me ter dedicado TODA a sua vida e ter me dado tanta felicidade, espero ter correspondido.
Como sempre disse a minha mãe, nem que seja só para exorcizar - quem não tem o que perder perde a vida vida - perdi voce, era a sua vez.
Adeus.
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