sábado, 17 de julho de 2010

Ao meu cão Veludo (Agostinho)

o Agostinho, apareceu abandonado aqui ao lado de casa, o pusemos para dentro,demos água e comida, e depois de muita resistência da minha parte o adoptamos. Isto em Outubro do ano passado. Bom, ressabiado, brincalhão mas medroso, assustadiço, alguém certamente o magoou a sério.
Paguei uma treinadora para fazermos uma aproximação com ele, foi feita, nos amamos, mas, há sempre um mas, ele rói tudo que lhe apareça pela frente que não seja ferro. Ganhou inimigos, os homens da casa querem-no fora, destrói as conexões das mangueiras de rega, os cabos das alfaias agrícolas e das vassouras, toalhas de banho, etc

Não pode ser, agora é tarde, cito Exupery: "tu te tornas eternamente responsável por tudo aquilo que cativas" - ele não pode ser abandonado de novo, ele agora confia em mim. Já tentei treinamento com a GNR, não fazem.

Está ficando preso na parte da frente da casa onde não há nada para roer. Está tão triste porque costuma passar os fins de semana comigo no jardim ou na horta ou mesmo deitado ao pé da porta ou da janela onde estou que hoje não comeu nada. Vi agora quando fui lhe colocar a ração da noite.

Amanhã temos guerra com o resto: volta a circular o quintal todo; disse a uma opositora ele dá prejuízo mas dá prazer, tenho tido muitos prejuízos sem prazer nenhum pela vida afora.

É importante notar que no Brasil não há distinção entre cão e cachorro pela idade como se faz em Portugal, as duas palavras são sinônimas, e usa-se mais o termo cachorro - seja bebe ou adulto.
:
AMIGO
Epitáfio que, na cova de um cachorro de estimação, fez Belmiro Braga, saudoso escritor e poeta mineiro:
Pela estrada da vida subi morros,
Desci ladeiras, e afinal vos digo:
Se entre os amigos encontrei cachorros,
Entre os cachorros encontrei-te, amigo!

Para insultar alguém hoje recorro,
A novos nomes feios, pois já vi,
Que elogio a quem chamo de cachorro,
Depois que este cachorro conheci!



quarta-feira, 14 de julho de 2010

Menina

Quando menina me lembro sempre das idéias a fervilharem em minha cabeça, dos livros que eu lia continuarem indefinidamente mesmo após a última página, das viagens que eu fazia , e ainda faço, mesmo que não fisicamente, a certeza de realização de todos aqueles sonhos, nem sequer se punha a probabilidade de não ocorrer. Era certo que o faria .

Praticamente tudo tem acontecido, vejo cada vez mais claramente que podemos colocar uma meta e irmos caminhando, e tudo vai acontecendo, temos de escolher o nosso caminho e a escolha da felicidade, a postura pessoal de não se deixar abater é fundamental.

Eu tenho lembranças boas, as más foram para debaixo do tapete, para o ralo, o lixo, o raio que as parta, temos que ser seletivos. Eu faço limonada de cada limão que apanho. As vezes limonada normal, as vezes limonada suiça - amarga no final- mas sempre limonada, nada de chupar limão; espremido na água pura tb é bom, se for necessário matar a sede.

Ao dançar o Vira na 2ª série, antiga 2ª classe primária, o Grupo Escolar Municipal Aarão Reis,nunca pensei que iria vir a morar em Portugal e ser cidadã Portuguesa! Classe da boa D. Aline, minha querida professora que me deu o mundo quando me mostrou os livros e me ensinou a desfrutá-los. Abriu-me a sua casa, a sua biblioteca, me orientava, emprestava os livros e depois os discutia comigo. Aguçava a minha curiosidade, teve prazer em burilar aquela menina tão metediça e tão curiosa. Muita saudade!