
"É muito ruim perder contemporâneos". Esta é a observação lacônica que faço para Márcio. Não sei me relacionar com a morte.
Pela primeira vez falo da minha experiência com a morte de contemporâneos. Falo com ele para tentar ajudá-lo. Possivelmente para me ajudar a mim mesma. É quase um exorcismo.
A primeira vez que encarei a morte tinha 11 anos e estava fazendo um curso de três meses - admissão - para fazer provas para o 5º ano, era obrigatório, ou teria que cursar um ano extra com o mesmo nome - Admissão.
A Marli foi atropelada na Av. Amazonas naquele ponto onde começa a rua que vai para a Nova Sintra.
Andávamos muito a pé naquela época e íamos sempre pela linha do trem até mais ou menos aquele ponto. Ali atravessávamos a Amazonas para ir para a exposição de gado, ou para pegar o ônibus para o Barreiro, etc
Andávamos muito a pé naquela época e íamos sempre pela linha do trem até mais ou menos aquele ponto. Ali atravessávamos a Amazonas para ir para a exposição de gado, ou para pegar o ônibus para o Barreiro, etc
Fui ao velório, o enterro não lembro. Vê-la no caixão era a coisa mais esquisita que já senti. A casa dela permanece igualzinha na Rua Campo Formoso. Passe quantas vezes passar para lá e para cá sempre lembro dela.
Estávamos de "mal". Coisa de meninas, nem me lembro porque, pedi-lhe perdão.
O meu avó morreu eu também tinha 11 anos, ele morreu no dia 1º de maio, sofri bastante e lembro de todos os detalhes, não sei se foi antes ou depois da Marli, mas a morte dela foi diferente.
Quando estava na 7ª série morreu o Geraldo. Eu me achava apaixonada por ele desde a 6ª série. Ele morreu de leucemia, foi muito esquisito.
Durante o 1º ano da Escola Técnica morreu a Mônica, também de leucemia, era gêmea com a Cristina, fui ao velório, estava tão branca ... Também foi muito ruim.
Com o passar dos anos perdi amigos longínquos, não amigos, conhecidos, era como um soco no estômago e a sensação de ter comido demasiado.
Relembrei o enfarto fulminante da Margarida que só tinha 37 anos e trabalhava na Universidade de Viçosa.
Relembrei o enfarto fulminante da Margarida que só tinha 37 anos e trabalhava na Universidade de Viçosa.
Rosane foi mesmo muito difícil, mesmo sabendo que ela estava com câncer. Havia uma esperança
Talvez os nossos contemporâneos morrerem nos lembrem a nossa falibilidade de forma muito clara.
Muitas vezes me surpreendo com coisas que vão me acontecendo: lembrei do Ryo a semana passada ao arrumar um móvel que não podia arranhar. Lembrei da carrinha alugada para a rodagem do Zero Hour e da entrada na bomba da gasolina - arrandela..
É muito triste saber da sua morte. Um jovem diretor de fotografia muito talentoso e muito apaixonado pela sua arte. Fica a minha homenagem a ele e a sua família.
É muito triste saber da sua morte. Um jovem diretor de fotografia muito talentoso e muito apaixonado pela sua arte. Fica a minha homenagem a ele e a sua família.