terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

dia dos namorados a sul e uma rosa vermelha





É engraçado como certas lembranças ficam agarradas a nós. Não me lembro seu nome. Era bonito, olhos verdes, paixão de muitas, não minha. Por que? Sabe-se lá.
Ficava na fila para perfurar o cartão da loteria esportiva mesmo que os outros guichets estivessem vazios.
Gostava dele, do meu jeito, não do jeito que ele queria, mas ele nunca disse nada, sempre apreciou o carinho que eu tinha por ele, nunca pediu mais.
Naquele dia dos namorados, que por coincidência era uma quinta-feira, foi ao Tio Patinhas como sempre e aguardou na fila com uma mão atrás das costas. Todos sorriam. Só entendi porque quando ele se aproximou e colocou o que tinha na mão sobre o guichet: uma rosa lindamente vermelha em botão, entreaberta, linda!
Sorriu com o rosto todo, com os olhos que brilhavam e emitiam reflexos esverdeados. Só disse: "Feliz dia dos Namorados. De quem não tem namorada para quem não tem namorado."
Fiz o seu jogo e ele foi embora. Feliz.
Era um presente! Só um presente, cheio de carinho e sem pretensão adicional.
Voltava todas as semanas para jogar. Nunca mais falamos na rosa. Me fez companhia até minha casa no final do trabalho muitas vezes. Nunca falamos em namoro, ele sabia que éramos apenas amigos e compreendia.
Tantos anos depois, neste dia de namorados que não é o mesmo do sul (12 de junho), mas tem o mesmo significado, lembro-me disto. Aquela homenagem ficou para sempre.
Tenho namorado. Espero que tenhas namorada e que estejas bem meu amigo.


sábado, 11 de fevereiro de 2012

ARMÁRIO QUE SE JOGOU A CHAVE FORA

É verdade, as coisas que amamos vão se limitando, decrescendo, ou melhor as que importam. Viva a adrenalina. O que não mexe conosco não nos faz sentirmos vivos. Em que ponto foi que limitamos?
Meu Deus, a cena do supermercado com dois lineares cheios de cereais - literalmente todos iguais -  é um  momento supremo. Será por que estou a analisar os supermercados e a sua fatuidade ou porque o cereal do pequeno almoço é mesmo superfulo.
Desde a minha infância e o meu cinema poeirinha dos domingos não via com tanto empenho um filme sem mulheres - sem romance - exceção feita a Black Hawk Down.
Apenas meia garrafa de Cabriz 2008, a atenção estava em outro lado, em observar os angulos, as luzes, onde estavam as cameras.
Credo, isto vira mania!